| A Born Liar | |
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eu sei... Queria muito ter tempo pra escrever mais, ou ter minha máquina para fotografar as pessoas no metro(aqui se diz métro), mas nem uma coisa nem outra estão disponíveis. Acordo às seis e meia, saio de casa às sete e meia e chego em casa às sete e meia da noite. São doze horas diárias de função, oito delas em frente a um computador (de onde eu não posso nem checar e-mail do gmail, só os e-mails internos). Chego em casa e vou tomar banho, cozinhar pra levar comida, dar uma geralzinha na casa, ver tv, todos os milhões de séries americanas que eu agora assisto... Não quero nem saber de escrever no blog, foi mal aí... Ainda leio os blogs de manhã. A Fal, a Zel, as duas Deniz(s)es, Marcuaurélio, TDUD?. Pense numa quantidade de coisas legais que eu tenho lido... Mas o meu blog ainda vai ficar meio abandonado por um tempo. Num prometo nada, viu minha Cla? E juro que o verão em Madrid é quente pracaráleo. E tem um vizinho ou vizinha que ouve o Rei, Roberto, em espanhol. Ainda não me conformei com essa fixação nos anos 80. Não sei se tá na moda no mundo todo ou só aqui mas o fato é que mullet é só aqui. Não é???? Ah, e a nova moda é bigode. Eu sou chegada em facial hair mas não dá pra ficar bem em todo mundo. >Outro dia eu escrevi um post muito filosófico sobre música pop e música Pop. Mas como eu não entendo nada disso deixei pra lá. Que tipo de música você ouve? Falando em música tem uma coisa que está me deixando muito irritada. A legião de gente com i-pod, shuffle e outros modelinhos de mp3 ou mp4 no metro ouve aquela bosta alto o suficiente pra que todo mundo em volta ouça mas sempre baixo o suficiente pra não dar pra identificar que música é. É só um barulho pentelho vindo de todos os lados... De manhã eu sempre fico com vontade de brigar mas tenho me controlado até agora. Vamos ver até quando . E... mudei de idéia a respeito de shortinho e salto. Tem gente que sabe usar, tem gente que não. Se sabe e pode usar é lindo. Se não sabe e/ou não pode fica muuuito ruim. Pensemos a respeito. O espelho é seu amigo e dentro de você tem uma vozinha que dá a dica. Na dúvida use outra coisa. And thats all folks!! Paz e Amor “Supe que hubo mucho jaleo debido que la juventud precisa de vez en cuando echar fuera el fuego que lleva dentro.” Mercedes Salisachs, 91 anos, escritora catalã Como quase todo mundo no mundo tenho lido muita coisa nos jornais e revistas sobre o maio de 68 na França. Quarenta anos se passaram e eu, do alto de minha geração perdida entendo cada vez mais o que se passou e consigo cada vez melhor colocar em perspectiva e entender o que aconteceu com o mundo, com o Brasil que vivia a ditadura duríssima a essa altura, e a Espanha que também vivia a ditadura, os EUA que viviam a Guerra do Vietnam, e a França e a Inglaterra desesperados por ver envelhecer seus modelos modernos de poder e dominação. Foi um começo. Foi um fim também. Mas foi principalmente o começo do mundo como a gente conhece hoje. De todo modo, estamos todos na continuação daquele movimento. Dani Le Rouge é membro do parlamento francês, Lula é presidente do Brasil, o “partido de esquerda” foi reeleito na Espanha... e o mundo mudou um pouco. Há os incautos que repetem que é proibido proibir em camisetas assinadas por designers famosos pelas quais pagam os olhos da cara. Mas há muitos que ainda levam dentro o fogo que precisa sair. Eu acho é pouco, perdi o medo do caos. É uma espera dolorosa. Ando da sala pra cozinha e de volta pra sala, bebo muitos litros de água, escolho os momentos de semi-desespero pra fumar mais um cigarro lá fora acompanhada de um livro que eu já li. Eu já li todos os livros. O meu pensamento se divide entre o telefone que não toca e o email que não chega e os planos vagos do que eu ainda não sei como vai ser. E as horas se tornam dias e os dias se tornam semanas e eu ainda estou a mercê de circunstâncias obscuras na organização bizarra do mundo. Por isso que eu digo que essa vida, a vida no mundo ocidental capitalista, é dura demais pra encarar sóbria. Barganho um torpor de bebida, fumo e crença que ajude as horas, dias e semanas a passarem menos ásperos e marcados na minha alma impaciente e esperançosa... Quem alcança? SEM SIMANCOL
De onde eu vim? Pra onde eu vou?
Eu sei que minha frequencia no blog está meio capenga e o interesse de meus posts decresce de modo alarmante, mas há bons motivos e eu continuarei bissexta porque tenho apego por ser the Born Liar.
... e num ataque de autopiedade ela chorou lágrimas negras no metrô por toda a viagem de volta. E ao enxugar o rosto pensou que a serenidade de uma vida ordinária teria sido melhor que todas as aventuras vividas até aquele dia. "Meia pessoa", pensou, "é o que eu sou." Vento frio na cidade.
Semana passada tinha esquentado um pouquinho mas agora esfriou de novo e o vento... ah, o vento gelado que da vontade de ficar encolhida dentro de casa...
Nosso computador morreu, que descanse em paz.
Até a aquisiçao de um computador novo escrevo de um locutório ao lado de casa, de onde nao sei colocar til nem crase nem acento cincunflexo nem outros sinais importantes da língua portuguesa. Paciencia, por favor...
Os dias transcorrem lentos por causa da minha ansiedade pela chegada da primavera, mas o frio vai e vem, vai e vem... só pra me desafiar, eu sei. Já estou cansada de casaco, luva, cachecol, casaquinho por dentro, meia calça, meia, bota... e quando se entra em qualquer lugar se tira o casaco, cachecol, chapéu... achei essa parte muito chata no inverno de verdade. Sim, admito agora para todos os meus amigos de LA que o inverno lá é mediano, e eu nao fazia a menor ideia do que é um frio de verdade. Ainda nao faço, e dou graças por isso.
Na minha vidinha mais ou menos por aqui estou bem, ainda sou feliz em Madrid depois de cinco meses, quase seis. Odeio estar sem trabalhar mas em menos de um mes meus papeis estarao regularizados e pronto. Vida européia começa, termina a vida de turista.
Visito os museus aqui pertinho tenazmente pra descontar todos os anos de minha vida em que sonho com esses quadros. Eu nao tinha a menor ideia de que ia encontrar aqui o jardim das delicias terrenas e ainda me deslumbro com esculturas de bronze. Nunca tinha me dado conta de que ia dormir a noite perto de Guernica e também por isso dou graças.
Meu amor dá aulas em espanhol, e meu proprio espanhol cresce lento, mas cresce.
Nos planos cursos de ingles, de espanhol, de frances, e uma formula mágica para nunca mais voltar a ser uma gorda. Quem sabe...
Veio mais gente, nossas visitas sao constante fonte de prazer e surpresas. Em compensassao roubaram minha maquina fotográfica num bar, entao esse blog vai ficar bem menos ilustrado. Pensando bem até que é bom, eu tenho andado muito jornalistica há mais de um ano meus posts sao somente: fiz isso, fulano veio, olha que legal. Quero mudar isso um pouco.
Tenho projetos secretos, pessoais e profissionais, alguns até em andamento, mas nao conto pra que eles deem certo. Eu sei que é bobagem, mas gosto do segredo. Nao estou gravida, para aqueles que eu sei que vao pensar nisso.
E aqui começa uma fase de posts sem ilustraçao nem acentos vindos do locutório mais próximo.
Contei tudo?
Volto mais tarde.
Este blog está passando por séria reestruturaçao. Esperemos novidades no decorrer da semana
É carnaval...
Para todos os efeitos estou tão saudosa de meus blocos e minhas ladeiras quanto sempre estive, mas tem umas coisinhas diferentes e inesperadas que fizeram deste o melhor carnaval longe de Olinda em minha vida.
Madrid tem sim um carnaval, meus caros. E se eu tivesse antecipado tinha me organizado melhor, mas não sabia, assim fui pega de surpresa pelas fantasias, um carnaval algo medieval e bem diferente da minha definição de carnaval. Mas nós saímos cantando aos berros pelas ladeiras, como em qualquer carnaval que se preze. Carnaval enfim.
Helena e Julien estavam aqui e transformaram tudo num momento melhor e mais bonito. Muito mais bonito.
No encontro de Doña Quaresma y Don Carnal (!!?!) chovia muito e não deu pra tirar fotos. Também não vou contar por que além do embate ser auto-explicativo quero ser parte integrante ano que vem, se por ventura estiver nestas paragens frias. Esperemos. Mas eu vi, meninos, e quase choro de emoção. Corremos, eu e Meu Amor, pela ladeira acima pra chegar mais rápido na festa, como eu não fazia há seis anos. Não dá pra explicar a felicidade que senti naqueles vinte segundos de carreira atrás do bloco. Em Madrid. Depois Lucas nasceu. Com mais de quatro quilos e dando uma canseira infernal em mommy & daddy. Todos passam bem e com saúde.
E vem mais neném por aí. No dia que eu decidir ter um filho meu filho será o mais novo de uma legião de pequenos muito amados espalhados pelo mundo, abençoados sejam. E assim, esse post que era pra ser deprimido no sábado de carnaval saíu satisfeito e esperançoso, na terça-feira. Eu sabia que Madrid ia mudar minha vida, mas não tinha idéia do quanto. Mal posso esperar pelo próximo...
Tudo mal no país do general. Ainda que eu estivesse fora do radar seria difícil mas tenho essa incômoda sensação de que todos me vêem. Well.
Muitas visitas divertidas. Nesses dois meses e meio vieram mais pessoas nos ver que nos cinco anos anteriores em LA.
Estou um pouco triste pela morte de Heath Ledger um menino jovem e bom ator que sucumbiu aos 28 a uma tristeza infinda. Suicídio, meus caros, é tristeza egoísta, sabem?
E mais ainda por fazer. A tal naturalização que vem, que não vem, e eu já não posso manter minha bunda nesse sofá. Hora de mexer e requebrar pra se virar. Vamos lá. Por isso a falta de posts. Por isso e porque na hora da raiva e do desespero eu tenho aquele blog secreto onde despejo tudo que não pode ser dito aqui por medidas de segurança. Da sua e da minha. Principalmente da minha, claro.
Falando nisso fiz uma limpeza na minha lista de links com novidades e o enterro adequado de blogs que já não funcionavam para si ou para mim mesma, que a fila anda em todo lugar menos em Recife onde a fila roda (vide Roger). Apreciações espanholas na semana que vem.
E ainda há o carnaval pra que eu lamente a distância em que me encontro do Eu Acho É Pouco novamente numa tradição deprimida. Sejam bem vindos à 2008. Rá! Li no Overheard in Black teen to his friends: Yo, I read the Bible nine times, and that shit contradicted itself like a motherfucker!
Errata: no meu post de ontem eu esqueci de citar minhas co-autoras Señorita A. e Miss C., que me iniciaram na maravilhosa viagem da categorização das palavras. Sacola quer dizer Bolsa Bolsa quer dizer Bolso Bolso quer dizer Bolsillo (ll lê-se lh, ou seja, bolsilho)
Existem várias categorias de palavras em espanhol e a tia Rosa catalogou algumas pra você, atenção: 1- categoria cebolinha por exemplo: praia = playa fraco = flaco prato = plato 2-categoria cueca-cuela por exemplo: dente = diente conta = cuenta fogo = fuego fonte = fuente *cueca-cuela é uma palavra fantasia que não existe em língua nenhuma, no meu entendimento. É apenas uma figura ilustrativa baseada numa antiga piada de lá de onde eu vim 3-categoria forrte onde: por favor = porr favorr respingar = rrespingar Rosa = Rrrosa *enrrolando bastante a língua pra mandar aquele erre de paulista de interior, sacou? Esse aspecto do espanhol é moleza pros paulista do interiorr 4-categoria transgênero onde: fruteira = fruteiro o sangue = la sangre a viagem = el viaje 5-categoria miguelito típico onde o jota e o gê tem som de erre: jovem = joven (lê-se roven) imagem = imagen (lê-se imarren) *note que aqui também o êne substitui o ême que deve ser pronunciado encostando a língua nos dentes da frente, parte do estupefaciente sotaque espanhol E existem dezenas mais que eu ainda estou estudando com cuidado. Estou me divertindo muito com esse aprendizado. Qualquer dia desses eu catalogo mais umas categorias por aqui porque pode até parecer que eu tô simplesmente fazendo piada mas é um sério esforço de aprendizado já que pela tv não tá dando muito certo e eu ainda não me matriculei num curso. E você, o que anda fazendo?
Feliz Natal Muitos faltam, mas o amor se estende a todos os que não aparecem na foto…
Happy Xmas (war is over if you want it) John Lennon
So this is Christmas
MINIMAL WOR(L)DS
E as ruas e bares, as pessoas com seus mullets selvagens, botaporcimadacalça ou minisaiacomfuckmeboots, suas listras, muitos Fernando, Isabel e outros reis catolicos, as cañas e os dobles, copas, tapas e raciones, gordura em quantidades inumanas e cigarros eternamente acesos, muitos perros, muitos niños, um mau-humor levemente afetado, e nós, os sudacas, com torcicolos de tanto olhar pro céu...
É uma cidade linda, linda, não me canso de dizer. E aqui vamos novamente na aventura de ser estrangeiros, cada vez mais embora sejamos todos latinos e o Brasil abra sorrisos nos rostos das nacionalidades mais variadas. Quase acredito na lenda da cortesia e a malemolência brasileiras.
O espanhol vai crescendo em passos curtos porque estou na intenção do deslumbramento. Falei inglês com uma mulher na rua, e ouço os turistas americanos na sua superioridade loira.
Não consigo concatenar um pensamento, nem sobre a Espanha nem sobre outras coisas, só sei dizer: -Estamos bem, estou feliz. -Sinto saudades. -Venham, venham...
Hola companheiro blog de tantos altos e baixos, que tal? Estamos em uma nova casa, uma nova cidade, um novo país e um velho continente.
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